VAIVÉM: A viagem como ponto de partida — de Évora a Bruxelas

No dia 15 de março, partimos de Évora em direção a Bruxelas. A viagem por terra, faseada, desenhou-se ao longo de três dias e por diferentes meios de transporte terrestres, atravessando geografias, ritmos e atmosferas distintas.

O primeiro troço foi feito de autocarro até Madrid. A saída de Évora marcou o início de um percurso contínuo, onde o tempo começou a dilatar-se entre estradas, paragens e paisagens em movimento. Atravessar a fronteira trouxe consigo uma primeira sensação de deslocação — subtil, mas presente.

Partida: Évora — Madrid

Esta primeira deslocação marcou o arranque de uma travessia que se construiu por etapas, ritmos e mudanças de meio — um percurso onde o movimento começa antes da chegada.

Sobre carris: Madrid — Barcelona — Bruxelas

A partir de Madrid, o trajeto prosseguiu de comboio. Atravessámos Barcelona no dia 16 de março, continuando a viagem até à chegada a Bruxelas, no dia 17, também sobre carris. A continuidade ferroviária reforça a dimensão simbólica do projeto: um corpo em deslocação constante, atravessando geografias e tempos, acumulando camadas de experiência.

A viagem como processo

Mais do que um simples deslocamento geográfico, esta travessia constituiu-se como parte integrante do próprio processo criativo. O trajeto — fragmentado entre meios de transporte, cidades e tempos de espera — aproxima-se, inevitavelmente, dos percursos vividos por tantas pessoas migrantes: feitos de etapas, transições, interrupções e recomeços.

Entre partidas e chegadas, a viagem constrói um espaço intermédio — um “entre” onde identidades se deslocam, línguas se cruzam e pertenças se reconfiguram. Tal como nos trajetos migrantes, também aqui o movimento não é apenas físico: é afetivo, político e simbólico.

O comboio como dispositivo

O comboio, enquanto elemento central de VAIVÉM, ganha uma dimensão ampliada. Não apenas meio de transporte, mas dispositivo artístico e conceptual: um espaço em movimento contínuo onde se acumulam paisagens, encontros e fricções. Cada estação atravessada transporta consigo a possibilidade de relação, mas também a consciência de fronteiras — visíveis e invisíveis.

Chegada: Bruxelas como território de criação

Este percurso até Bruxelas inscreve-se no desenvolvimento do projeto, que se constrói ao longo da viagem e dos seus destinos, envolvendo comunidades emigrantes e lusodescendentes no próprio ato criativo. A cidade torna-se, assim, mais do que um ponto de chegada: um território de escuta, partilha e criação.

Continuação: do percurso à criação

Ao longo desta travessia, recolhemos impressões, imagens, sons e fragmentos de experiência que irão integrar a construção de uma performance-instalação site-specific, a apresentar no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora.

VAIVÉM afirma-se, assim, como um projeto que não se limita a representar a deslocação — mas que se constrói nela, com ela e a partir dela.


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