OLVIDAR (2026)

Em OLVIDAR, explora-se a força criativa e a capacidade regenerativa do esquecimento. Neste projeto de intersecção entre a performance, a fotografia, o vídeo e o áudio, desenvolve-se a ideia de reconstrução (ou recriação) para trabalhar questões relacionadas com a presença e a ausência. Regista-se e manipula-se aquilo que poderá estar abandonado ou desaparecido. A partir da escuta de territórios e comunidades que passaram por processos de apagamento ou de transformação profunda, constroem-se narrativas inspiradas nas memórias de uns e nas zonas de esquecimento de outros, dando lugar a uma dramaturgia fragmentada, atenta e permeável, feita de presenças subtis, silêncios, vestígios e zonas de sombra. A criação inspira-se na ideia de que recordar é um ato seletivo e que esquecer pode ser também um gesto de resistência, uma defesa contra o excesso de acontecimentos ou a imposição de narrativas dominantes.

Como destaca Marc Augé, no livro Formas de Esquecimento “é preciso esquecer para não morrer”, para não perder o sentido da vida e do mundo. O esquecimento afirma-se, assim, como força vital na organização da memória, indispensável para dar sentido à experiência e à identidade. Nesta criação de cruzamento disciplinar, o esquecimento surge não como uma falha, mas como força criativa e ferramenta de transformação. O processo compõe-se de residências imersivas de pesquisa e de criação — as zonas de OLVIDAR, desenvolvidas de forma participativa com comunidades específicas de locais que são terreno fértil para uma dialéctica entre a memória e o esquecimento, da qual o projeto artístico se alimenta — nomeadamente, a Aldeia da Luz e a Mina de São Domingos. 

Num primeiro momento, em cada uma das localidades, realizam-se residências de pesquisa, conceptualização e criação in loco. Estas residências incluem sessões de recolha de elementos, momentos de aproximação, laboratórios de ideias e processos de criação desenvolvidos em colaboração com a comunidade de cada contexto. Num segundo momento, realizam-se as residências de criação, montagem e ensaios, que culminam nas apresentações públicas abertas à restante comunidade. Antes e entre os momentos de residência de cada um dos locais, o trabalho desenvolve-se em Évora, incidindo sobre a definição do alinhamento dos textos e do guião dramatúrgico, a edição e impressão das imagens, a preparação e edição de vídeos e áudios, a composição e edição musical, bem como a criação de materiais cénicos e de apontamentos de guarda-roupa. 

OLVIDAR reúne uma equipa profissional e participantes das comunidades nas zonas de intervenção. Filipa Leal desenvolve o texto em diferentes etapas: numa residência no Espaço do Tempo, em visitas à Aldeia da Luz, e numa residência na Aldeia da Luz. Laura Falésia colabora na conceção das entrevistas e do laboratório de ideias. Chissangue Afonso acompanha todo o processo, apoiando a criação artística e a montagem, e enquanto intérprete. Zé Peps cria os temas musicais e assegura a interpretação ao vivo. Ana Luena & José Miguel Soares assumem a criação, a direção artística, a encenação, a cenografia, os figurinos, a fotografia e o vídeo, acompanhando todas as fases do processo. Nas residências na Mina de S. Domingos, Miguel Maia colabora no apoio à pesquisa e na criação, no âmbito da parceria com a Companhia Cepa Torta.

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