DELONGA (2025)

A ritualização da espera, que acontece na relação com os ritmos sazonais, é um elemento central no desenvolvimento de DELONGA – um ato de espera, remetendo-nos para a ideia de ciclo e da sua relação com a criação artística. DELONGA desenvolve-se ao longo das 4 estações do ano a partir da figura ficcionada de um Fotógrafo-jardineiro, num processo de tempo dilatado onde se constrói um diário – textual, imagético e sonoro – cujos materiais alimentam outras criações híbridas que se apresentam ao vivo em site-specific. Criam-se performances-instalações em lugares cuja arquitetura se relaciona de forma distinta com elementos naturais. 

O projeto articula atos performativos determinados por diferentes temporalidades: o diário do Fotógrafo-jardineiro (personagem coletiva constituída por diferentes artistas), objeto artístico que segue uma ordem sequencial e cronológica, conjugando elementos analógicos e digitais; e duas performances-instalações distintas, que se apresentam nos solstícios, em que a terra é iluminada de maneira desigual, e que assinalam épocas do ano marcadas por festivais e rituais. 

As performances-instalação resultam da apropriação e reconfiguração das inscrições dos diferentes artistas no diário, numa lógica colaborativa interdisciplinar de contaminação e estética relacional. A performance é simultaneamente a montagem em tempo real da instalação cujo rasto permanece enquanto memória e esquecimento. O primeiro andamento culmina na apresentação de DELONGA DIA, com a proximidade do solstício de verão, altura em que a luz se sobrepõe ao tempo da escuridão. O segundo andamento decorre na fase decrescente do tamanho dos dias, e resulta na apresentação de DELONGA NOITE, que assinala a chegada do inverno. As dinâmicas do movimento da luz – enquanto recurso artístico, narrativo, estético e conceptual – são um aspecto central destas criações. 

DELONGA DIA, acontece em espaços arquitetónicos abertos (no Jardim Tardoz do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida e na Estufa do Jardim Botânico do Porto), enquanto que DELONGA NOITE é desenhado para um espaço interior, explorando a relação com o exterior através de uma fenda. 

O projeto DELONGA – um ato de espera, inicia-se com uma residência para a conceptualização do DIÁRIO, na qual se determina o modo como decorrerão as contribuições e criações, residência que se retoma no início do segundo andamento. O processo envolve ainda a participação de crianças, numa reflexão através da criação artística sobre a demora e a aceleração, explorando experiências do tempo em diferentes gerações.

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