LÍNGUAS (2025)

LÍNGUAS é uma nova criação de Ana Luena & José Miguel Soares que parte da polissemia da palavra língua em português, no sentido de idioma e de órgão humano, explorando no objeto artístico várias dimensões – imagética, sensorial e cultural. Interessa-nos trabalhar as línguas nas suas intersecções, inerente aos movimentos migratórios, e enquanto elemento fundamental na integração social e cultural de pessoas que escolhem e vivem num país no qual não são nativos. Neste processo e espetáculo de cruzamento disciplinar evidencia-se a capacidade aglutinadora e unificadora da língua, mantendo sempre em contraponto a sua utilização enquanto instrumento de poder. 

Língua significa o órgão que serve a degustação, a articulação de sons, o tato; e um sistema de comunicação partilhado por uma comunidade linguística, que transporta consigo aspectos culturais inerentes. A Língua tem ainda um papel subversivo que a aproxima de uma fronteira, uma linha de dominação ou resistência. As anti-línguas, as línguas híbridas, as línguas estrangeiras, as línguas de acolhimento, as línguas maternas, as línguas crioulas, a glotofagia imprimem uma forma às línguas que as relaciona com as dinâmicas das relações de poder. Existem múltiplas formas de apropriação, aglutinação e esquecimento que transformam as línguas como organismo vivo, que resulta das migrações humanas desde os primórdios. 

O espetáculo-instalação combina performance, música, escrita em tempo real, imagens, vídeos e áudios, para uma proposta eclética e experiência artística transcultural. Os elementos constroem-se com a participação de diferentes comunidades imigrantes. Estabelecem-se relações com o território e as alterações originadas pelos múltiplos e heterogéneos movimentos migratórios existentes nos contextos de desenvolvimento do projeto. 

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