Residência de escrita e conceptualização – Diário de Viagem, Trajeto e Destinos de VAIVÉM

Entre 20 e 23 de janeiro, a Malvada estará em residência no âmbito do projeto de criação artística VAIVÉM, reunindo a dupla de artistas Ana Luena & José Miguel Soares, o poeta André Tecedeiro, a investigadora Laura Falésia e o músico Zé Peps para um período de escrita, escuta e composição.

O projeto VAIVÉM propõe uma reflexão alargada sobre os movimentos migratórios, explorando a tensão entre quem parte e quem chega, entre deslocação e permanência, entre recusa e acolhimento. Ativam-se noções de movimento, repetição, retorno e relação para dar forma à complexidade dos fluxos humanos, sociais e afetivos que atravessam as experiências migratórias contemporâneas.

Esta residência desenvolve-se em interação com a Residência de escrita e conceptualização Luz e Mina do projeto OLVIDAR. Embora distintas nos seus focos e matérias, as duas residências acontecem em simultâneo e em contaminação mútua, onde ideias, imagens e sons circulam entre processos sem hierarquia nem linearidade. Em vez de percursos paralelos, constrói-se um sistema de relações, no qual cada residência funciona como ponto de passagem, desvio ou reativação da outra. Questões levantadas em VAIVÉM reverberam em OLVIDAR, assim como materiais e intuições surgidas em Luz e Mina se infiltram no pensamento do Diário de Viagem, Trajeto e Destinos.

VAIVÉM é a segunda parte de uma dupla de criações interligadas no âmbito do ciclo ESTAÇÃO, desenvolvido no biénio 2025–2026. Em 2025, realizou-se LÍNGUAS, projeto que partiu da polissemia da palavra língua — enquanto idioma e órgão humano — explorando diferentes dimensões imagéticas, sensoriais e culturais.

Em 2026, interessa-nos aprofundar as tensões e expectativas da partida, a experiência da travessia, o confronto com o novo lugar e a memória da origem: aquilo que fica para trás e aquilo que se transforma. O processo artístico prevê o envolvimento direto de emigrantes portugueses nos destinos da viagem, bem como a continuidade do trabalho desenvolvido com comunidades imigrantes residentes em Évora.

A criação combina performance, música, escrita, fotografia, vídeo e áudio, resultando numa proposta de cruzamento disciplinar e numa experiência artística de carácter transcultural. VAIVÉM constrói-se ao longo do próprio trajeto da viagem e dos seus destinos — Bruxelas e Paris — envolvendo ativamente comunidades de emigrantes e lusodescendentes no ato criativo. O Diário de Viagem, concebido como dispositivo de correspondência artística e de diálogo à distância, acompanha o percurso e prolonga a reflexão no espaço e no tempo.

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