A Malvada estreia e inaugura VAIVÉM, uma performance-instalação site-specific com criação de Ana Luena & José Miguel Soares, música de Zé Peps, texto de André Tecedeiro, e interpretação de Chissangue Afonso e Inês Minor, nos dias 28 e 29 de maio, às 21h00, no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora.
Desenvolvido a partir de um processo participativo sobre movimentos migratórios, com comunidades de emigrantes portugueses, lusodescendentes e imigrantes residentes em Évora. Realizam-se também sessões especialmente dirigidas a escolas e instituições, sujeitas a marcação prévia. As apresentações inauguram a instalação, que poderá ser visitada no mesmo espaço até 12 de julho.
SINOPSE
VAIVÉM, a nova criação da Malvada, de Ana Luena & José Miguel Soares, tem como ponto de partida simbólico uma viagem de comboio, entendida como dispositivo artístico, conceptual e relacional.
O projeto propõe uma reflexão sobre os movimentos migratórios, explorando as tensões entre partida e chegada, entre deslocação e permanência, entre recusa e acolhimento, com foco na interseção e pluralidade de línguas e culturas.
Ativam-se noções de movimento, repetição e retorno para traduzir a complexidade dos fluxos humanos, sociais e afetivos que atravessam as experiências migratórias contemporâneas.
O processo de criação incluiu uma viagem realizada por meios de transporte terrestres, atravessando diferentes geografias e contextos, entre trajetos, estações, paragens intermédias e os destinos de Bruxelas e Paris.
O processo artístico teve o envolvimento direto de emigrantes portugueses nos destinos da viagem, bem como a continuidade do trabalho desenvolvido com comunidades imigrantes residentes em Évora. Através de momentos de observação, escuta, escrita, registo fotográfico e audiovisual, entrevistas, leituras e dispositivos performativos, constrói-se um corpo de materiais documentais e poéticos que são manipulados e integrados na performance e na instalação site-specific no Jardim Tardoz do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora.
VAIVÉM é a segunda parte de uma dupla de criações interligadas, desenvolvida no ciclo do biénio 2025-26 da Malvada. Depois de LÍNGUAS, que explorou a palavra “língua” enquanto idioma e órgão, numa criação transcultural sobre migração, integração e contextos linguísticos não nativos, VAIVÉM aprofunda as tensões e expectativas da partida, a experiência da travessia, o confronto com o novo lugar e a memória da raiz — aquilo que fica para trás e aquilo que se transforma. Somos migrantes sem “e” nem “i”. O ser humano é feito de caminhos. Somos uma espécie de vaivém.
SOBRE VAIVÉM
Em VAIVÉM, a migração surge como uma experiência feita de deslocações físicas e íntimas: malas, estações, fronteiras, línguas desconhecidas, comida que falta, casas que se deixam e casas ainda vazias, à espera de serem vividas. A partir das vozes de quem parte, a performance-instalação constrói um percurso fragmentado entre diário de viagem, testemunho e reflexão poética, interrogando o que significa deixar um lugar, chegar a outro e tentar construir casa entre línguas, memórias, afetos e fronteiras.
A língua torna-se fronteira e abrigo; a comida transforma-se em casa; os documentos, as malas e as estações revelam a vulnerabilidade dos corpos em trânsito. Num movimento contínuo, VAIVÉM aproxima as migrações humanas das migrações dos animais, dos rios e da própria história da espécie, afirmando a migração como condição ancestral: antes das fronteiras, dos passaportes e das categorias de emigrante ou imigrante, já existia o movimento. Somos feitos de deslocações, de partidas e regressos, de lugares que se perdem e se reinventam. Somos todos e desde sempre migrantes.
PROCESSO
O processo de criação de VAIVÉM iniciou-se com uma residência artística, reunindo a dupla Ana Luena & José Miguel Soares, André Tecedeiro, Zé Peps e Laura Falésia. Este primeiro momento foi dedicado à escrita, à composição musical, ao trabalho sobre dispositivos participativos e à reflexão em torno dos movimentos migratórios. A residência abriu o campo conceptual e dramatúrgico do projeto, explorando analogias com o mundo animal e vegetal, relações entre deslocação e pertença, e equivalências e fricções entre emigrante e imigrante, alteridade e identidade.
Em Évora, o processo participativo teve início com um workshop aberto à comunidade, integrado no próprio processo de criação artística, que aconteceu no Centro de Inovação Social da FEA. Ao longo das sessões, os participantes experimentaram metodologias centradas no intérprete, partindo das temáticas do projeto e do texto em desenvolvimento, e explorando linguagens no cruzamento entre performance e fotografia.
O trajeto da viagem e os seus destinos — Bruxelas e Paris — constituíram o eixo central da criação, realizado por Ana Luena e José Miguel Soares, envolvendo ativamente comunidades de emigrantes portugueses e lusodescendentes no ato criativo do projeto. Nas residências de criação realizadas em Bruxelas e Paris, o processo aberto incluiu sessões de partilha, leitura, conversas, entrevistas e a ativação de dispositivos performativose fotográficos, sempre adaptados ao contexto de cada grupo e às especificidades dos participantes. Estas ações foram desenvolvidas em parceria com a Associação José Afonso de Bruxelas, o Centro de Língua Portuguesa Camões de Bruxelas, a Fundação Josefa, a Cap Magellan e o Liceu Internacional Honoré de Balzac.
A criação em viagem integrou o Diário de Viagem como dispositivo de correspondência e diálogo à distância, acompanhando todo o percurso. Neste diário foram partilhadas imagens fotográficas de José Miguel Soares, e textos em correspondência, escritos por Ana Luena e André Tecedeiro.
Antes e depois da viagem, realizou-se em Évora um processo participativo com comunidades imigrantes, através de sessões de entrevistas, leituras, conversas e ativação de dispositivos de criação artística com participantes de diferentes nacionalidades e culturas. Estas sessões decorreram em parceria com o Centro de Formação Profissional de Évora – IEFP e o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas Gabriel Pereira, no âmbito do Vidas Ativas 5G Évora / CLDS 5G.
O processo envolveu 96 participantes, distribuídos pelos diferentes contextos de intervenção, incluindo emigrantes portugueses em Bruxelas e Paris, imigrantes residentes em Évora e mediadores.
A criação desenvolveu-se ainda em diferentes residências artísticas em Évora, dedicadas à finalização conceptual e dramatúrgica, bem como à criação e montagem da instalação fotográfica, da performance e dos vídeos. Estes momentos juntaram os responsáveis pela conceção e direção artística do projeto, o músico Zé Peps, as intérpretes Chissangue Afonso e Inês Minor, o desenhador de luz Pedro Bilou e a equipa de assistência à produção composta por Suliane Ferraz e Guilherme Dias, contando ainda com os elementos em formação em contexto de trabalho Ana Patrícia Patrício, Verónica Pires e Edson Pontes.
Realizou-se ainda uma masterclass participativa com estudantes, integrada na Semana das Artes da Universidade de Évora, reforçando a dimensão participativa e interdisciplinar de VAIVÉM.
Todos os materiais desenvolvidos ao longo do processo — textos, entrevistas, imagens, sons, registos audiovisuais, experiências performativas e contributos das comunidades envolvidas — contribuem diretamente para a construção da performance-instalação, apresentada em formato site-specific no Jardim Tardoz do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, entre maio e julho de 2026.
LOCAL / DATAS
JARDIM TARDOZ DO CENTRO DE ARTE E CULTURA
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA, ÉVORA
28 E 29 MAIO 2026, 21H00
Performance – Sessões público gera
27 MAIO A 2 JUNHO
Performance – Sessões Grupos
Sujeita a inscrição
2 JUNHO A 12 JULHO
Visitas Guiadas
Sujeita a inscrição
30 MAIO A 12 JULHO
Instalação
Terça a domingo, 10h00 – 13h00 / 14h00 – 19h00
Performance M/12 Dur. 45’
BILHETES
Entrada gratuita mediante reserva
A lotação do espaço é limitada a 60 pessoas.
Garanta o seu lugar fazendo a sua reserva
INFORMAÇÕES E RESERVAS
maa.comunicacao@gmail.com
928 142 697
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
VAIVÉM
PROJETO ARTÍSTICO TRANSCULTURAL
Criação ANA LUENA & JOSÉ MIGUEL SOARES
Fotografia e vídeo JOSÉ MIGUEL SOARES
Encenação ANA LUENA
Texto ANDRÉ TECEDEIRO
Diário de viagem (correspondência) ANA LUENA, ANDRÉ TECEDEIRO, JOSÉ MIGUEL SOARES
Música e interpretação ZÉ PEPS
Interpretação CHISSANGUE AFONSO, INÊS MINOR
Desenho de luz PEDRO BILOU
Desenho de som JOÃO ESPANCA BACELAR Voz off ANA LUENA
Apoio investigação LAURA FALÉSIA
Assistência de produção e comunicação SULIANE FERRAZ Assistência de produção GUILHERME DIAS
Design gráfico JOANA AREAL
Parceiro institucional CENTRO DE ARTE E CULTURA – FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
Produção MALVADA ASSOCIAÇÃO ARTÍSTICA
Cofinanciado por PROJETO VIDAS ATIVAS 5G ÉVORA (CLDS-5G) Entidade coordenadora local de parceria APPACDM-Évora
Apoios UNIÃO DAS FREGUESIAS DE ÉVORA (CENTRO HISTÓRICO DE ÉVORA), JUNTA DE FREGUESIA DOS CANAVIAIS, UNIÃO DE FREGUESIAS DO BACELO E SENHORA DA SAÚDE, UNIÃO DE FREGUESIAS DA MALAGUEIRA E HORTA DAS FIGUEIRAS
Parceiros Bélgica e França AJA – ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO BRUXELAS, ASSOCIATION CAP MAGELLAN, CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA CAMÕES BRUXELAS, FUNDAÇÃO JOSEFA, LICEU INTERNACIONAL HONORÉ DE BALZAC
Parceiros mediação AGRUPAMENTO ESCOLAS MANUEL FERREIRA PATRÍCIO, CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ÉVORA – IEFP, CENTRO QUALIFICA DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS GABRIEL PEREIRA, ESCOLA DE ARTES DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA
Protocolos ÁSHRAMA ÉVORA DHYÁNA – CENTRO DE YOGA / ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL DOS PROFESSORES / HOSPITAL ESPÍRITO SANTO DE ÉVORA / LIGA DE ESTUDANTES AFRICANOS DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA / SINDICATO DEMOCRÁTICO DOS PROFESSORES DO SUL / UNIVERSIDADE DE ÉVORA Parceiro de comunicação DIANA FM
Apoios logística DOURADO DISTRIBUIÇÃO, QUEIJARIA CACHOPAS, RESTAURANTE O COMBINADO, SOPAS GRACIETE
A Malvada Associação Artística é uma estrutura financiada pela REPÚBLICA PORTUGUESA – CULTURA / DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES com o apoio do MUNICÍPIO DE ÉVORA
PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE
Processo aberto – Entrevistas e dispositivos performativos e fotográficos
Destino Évora ABREU PIEDADE GUSMÃO, ADRIANA SADINA, CHARNYTSKA SVITLANA, ELZA ANTONIO MIZI, EZEBRI GHTUGOCHUKWU, FRANCIS MERCY CUMING, IMEN AMRZ, JAIMITO OLIVEIRA, JOEL EMERY, JONIO JOSÉ DA COSTA FREITAS, JUNIOR SOARES CORREIA, KAMILA ALEJANDRA ESPINOSA, LAURINDO DE JESUS DOS SANTOS, LYNN PILGRIM – LITTLE, LYUBOV GLAZALOVA, MARCELINO RAMALHO, MARGARET THORPE, MARIE ELIANE AVOMO, MARIO JUSTINO, MARIZOL FESLE COVEMEGO, MILENA NUNES, MOUSA MOHAMED ELBASHA MOUSA, NICOLAS MARTELLI, OKUBOR FIDELIS, OZIAS LOPES FERNANDES, RACHID AMGHAR, SANJAYA LAMA, SARAH MARIE JOSEPH MONGO, SEYEDEH NASTARAN, SHAHARA HOSSAIN AMORIN, SHANKAR ARVAL, SOFIA MOREANO, SOU MILAD MIR, STEVE DANDALL CHAVEZ, SUMER MAHARJAN, TAKOUMBO TATSIKAM DANNY STEPHANE, TCHONTA NGATCHOU FLORIANE ROSINE, TED LITTLE, TOMÁS DANIEL SOARES, VICENTE REIS DA COSTA, VICTORIA DANIELA SANCHEZ, XIAOYAN LI
Destino Bruxelas ALEXANDRE COSTA, ANDREIA SABINO MONTEIRO, ANTONIO GOMES, CRISTIANA CAMPOS, HELDER WASTERLAIN, INÊS CISNEIROS, INÊS LOURENÇO, JEAN RICHELLE, JOSÉ MATIAS, LAURA DOS SANTOS, MARIA ENCARNAÇÃO MATIAS, MARIA JOSÉ GAMA, MARIANA GARRIDO, RAPHAËL CHAPEL
Destino Paris ADELE BARADU, ANATOLE BRUÈRE, EVA NOBRE, GUILHERME GONÇALVES, HERMANO SANCHES, INÊS FERREIRA, JOÃO COSTA FERREIRA, LEANA PINTO, MADALENA MORGADO, MARIANA FERREIRA, MARIE ADRIEN, MATILDE CERQUEIRA, MIRELA DA COSTA, PABLO FREIRE, PABLO SILVA, THOMAS SIBAUD, TIAGO MARCOS, TOMÁS MARTINS, VICTORIA MOURA
Workshop Performance e Criação Artística ANA ISABEL ESPÍRITO SANTO, CRISTINA CRISTEA, ELISSA CRISTEA, GONÇALO RIBEIRO, INÊS MINOR, JOÃO PINHO, MARIA ANTÓNIA PEREIRA, PAULA SEIXAS, XAVIER COELHO
Masterclass Participativa BEATRIZ ESTRABAUXA, CAROLINA AREIAS, FRANCISCO SERAFIM, JOSÉ VITÓRIA, RAIMUNDO BENÍCIO
Mediadores ANA CORGA VIEIRA, CRISTINA GUERREIRO, HELDER WASTERLAIN, ISABEL BEZELGA, JÉSSICA RAMOS, LUÍSA GUERREIRO, MANUEL DIAS, MANUELA CRUZ, MARIA JOSÉ GAMA, MIGUEL ALMEIDA, RUTE FEITEIRA, RUTE FERRO, SANDRA NEVES, SUSANA RIBEIRO, VANESSA CARVALHO
Formação prática em contexto de trabalho ANA PATRÍCIA CARRIÇO, VERÓNICA PIRES [IEFP], EDSON PONTES [EPRAL]
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