Os primeiros Laboratórios de criação no âmbito do projeto ESTRADA

Entre março e abril de 2026, decorreram na Quinta do Escurinho, sede da APPACDM de Évora, os primeiros Laboratórios de Criação nas áreas da improvisação e composição, no âmbito do projeto ESTRADA. Os laboratórios com o grupo participante de pessoas com deficiência intelectual, foram orientados por Ana Luena, o músico Zé Peps e a intérprete Chissangue Afonso, constituindo uma etapa fundamental do processo de criação do espetáculo de cruzamento disciplinar. 

Com ponto de partida na ideia de viagem, os laboratórios exploram metodologias de criação através de exercícios de improvisação e composição, expressão corporal, movimento, voz e música. A viagem, enquanto metáfora e prática, permite explorar estados de transição, abrindo o campo a narrativas fragmentadas, gestos inesperados e novas formas de organização do poético.

Ao longo das sessões, ensaiaram-se possibilidades de cena, modos de presença e relações entre corpo, palavra, música valorizando a improvisação e a experimentação como prática da criação artística. A música desenvolvida acompanha e dialoga com as improvisações, criando diferentes atmosferas que potenciam e estruturam o trabalho performativo.

Através da improvisação, começam a emergir as primeiras cenas e composições coreográficas, inspiradas nos conceitos do projeto. Nesta fase, o corpo assume-se como principal matéria de criação, explorando plasticamente situações relacionadas com a deslocação, a espera, a despedida e o encontro. 

Algumas das situações improvisadas começam a ser fixadas e organizadas, consolidando as primeiras estruturas cénicas da performance. O processo privilegia a experimentação, o jogo e a invenção, criando um espaço de liberdade onde a lógica linear é posta em causa e onde o desvio e o acaso se transformam em matéria criativa. 

A criação assume um cruzamento disciplinar que integra performance, escrita, fotografia, vídeo, desenho, música e som, compondo uma obra construída a partir da pluralidade de vozes, corpos e experiências. ESTRADA propõe, assim, uma viagem artística sobre deslocamento, descoberta, pertença e imaginação, abrindo caminho a novas formas de organização do poético e do comum.

Este processo de criação desenvolve-se de forma continuada entre Março e Novembro de 2026, integrando laboratórios, residências artísticas e ensaios, culminando na apresentação pública do espetáculo.

A estreia de ESTRADA realiza-se a 15 de novembro de 2026, no Salão Central Eborense, em Évora. Entre 16 e 18 de novembro, decorrem apresentações dirigidas a escolas, instituições, grupos organizados e público em geral, reforçando a dimensão pública, inclusiva e comunitária do projeto.

FICHA ARTÍSTICA

Criação ANA LUENA & JOSÉ MIGUEL SOARES Texto AFONSO CRUZ Música e interpretação ZÉ PEPS Desenho de luz PEDRO BILOU Desenho de som JOÃO ESPANCA BACELAR Fotografia e vídeo JOSÉ MIGUEL SOARES Orientação e encenação ANA LUENA Orientação e interpretação CHISSANGUE AFONSO Participantes nos laboratórios de criação e interpretação ALEXANDRE RAMALHO, ANA CARINA CARVALHO, ANA MARIA FILIPE, CARLOS GIL, FLÁVIO MARQUES, GABRIEL PENDERLICO, MARCO PISCO, MARIA FIGUEIREDO Coordenação e consultoria ROSA MOREIRA (APPACDM-ÉVORA) Mediação HELENA RAPOSO (APPACDM-ÉVORA) Assistência de produção e comunicação SULIANE FERRAZ Produção MALVADA ASSOCIAÇÃO ARTÍSTICA Coprodução APPACDM-ÉVORA


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