A Malvada estreia e inaugura DELONGA NOITE – um ato de espera, no DESDOBRA-TE, festival da PédeXumbo, na Sala Azul da Sociedade Harmonia Eborense. A performance-instalação site-specific é uma criação de Ana Luena, José Miguel Soares e Nuno Nolasco, com encenação e interpretação de Nuno Nolasco e fotografia e vídeo de José Miguel Soares. Envolve artistas de várias disciplinas, como André Tecedeiro e Zé Peps, no diário de uma personagem coletiva – o Fotógrafo-jardineiro. Este segundo andamento do projeto DELONGA, dedicado à noite, acontece na proximidade do solstício de inverno, quando a escuridão se sobrepõe à luz do dia, e apresenta-se no dia 21 (sexta-feira), às 23h59, e 22 (sábado), às 19h00, A performance inaugura RASTO, uma instalação que poderá ser visitada no mesmo espaço até 21 de dezembro de 2025.
DELONGA A ritualização da espera, que acontece na relação com os ritmos sazonais, é um elemento central no desenvolvimento de DELONGA – um ato de espera, remetendo-nos para a ideia de ciclo e da sua relação com a criação artística. DELONGA desenvolve-se ao longo das quatro estações do ano, a partir da figura ficcionada de um Fotógrafo-jardineiro, num processo de tempo dilatado onde se constroem dois diários cujos materiais alimentam criações híbridas que se apresentam ao vivo e em formato site-specific: DELONGA DIA, apresentado em maio e junho de 2025, em Évora, no Porto e em Montemor-o-novo e DELONGA NOITE apresentado em Évora, em novembro. Criam-se performances-instalações em lugares cuja arquitetura se relaciona de forma distinta com elementos naturais e artificiais.
“A noite será longa se não conseguir dormir.”
O segundo andamento decorre na fase decrescente da duração dos dias e resulta na apresentação da performance-instalação DELONGA NOITE, que assinala a chegada do inverno. As dinâmicas do movimento da luz — enquanto recurso artístico, narrativo, estético e conceptual — são um aspeto central desta criação.
DELONGA NOITE marca o momento inverso de DELONGA DIA, assinalando o tempo de recolhimento e transição para um novo ciclo, em que o tempo da escuridão aumenta e se sobrepõe ao tempo da luz solar. Neste momento, a sombra ganha espessura, o silêncio dilata-se e o corpo procura novas formas de presença na penumbra e na luz artificial. A perceção volta-se para o interior, deixando que a noite revele a vertigem e o “abysmo” que a claridade oculta. A performance-instalação resulta da apropriação e reconfiguração das inscrições dos diferentes artistas no diário, numa lógica colaborativa e interdisciplinar, de contaminação e estética relacional. A performance é simultaneamente a montagem e a criação, em tempo real, da instalação, cujo rasto permanece enquanto memória e esquecimento.
As entradas e partilhas dos artistas aconteceram durante o Diário de DELONGA NOITE, entre 31 de agosto e 29 de outubro de 2025.
“Sem querer penso no futuro. Quase nada. Apenas nos dias que se encurtam, na temperatura que se altera, na luz que se move, na lua que cresce, no que ficou para trás. E eu parado. Imóvel, na expectativa de receber uma chamada de F.”
SOBRE O PROCESSO
O processo de DELONGA NOITE iniciou-se em agosto, com uma residência no espaço da Malvada e na Sociedade Harmonia Eborense, reunindo Ana Luena & José Miguel Soares, André Tecedeiro e Nuno Nolasco para a conceptualização do Diário. Nesta fase, foi definido o modo como decorreriam as contribuições e criações do Diário deste segundo andamento, cujos materiais alimentam a Performance Instalação DELONGA NOITE. As entradas e partilhas dos artistas aconteceram durante o tempo de ação do Diário do Fotógrafo-jardineiro, de 31 de agosto a 29 de outubro.
Em novembro de 2025, tiveram lugar as residências de preparação, seleção e edição dos materiais do Diário, os ensaios e a produção de novas imagens para a instalação e performance, no espaço da Malvada, assim como a montagem site-specific na Sala Azul da Sociedade Harmonia Eborense, com Ana Luena, José Miguel Soares, Nuno Nolasco, Chissangue Afonso e o músico Zé Peps.
Este processo artístico, em contínua transformação, intervém e dialoga com os elementos arquitetónicos do espaço. A performance constitui simultaneamente o momento final de montagem e inauguração da instalação visual, que permanece aberta ao público, inscrita em RASTO.
O projeto estende-se para dentro de escolas através da realização de oficinas, masterclasses e laboratórios direcionados para uma intervenção artística – com imagens, objetos, textos, atos coreográficos e/ou performáticos – envolvendo alunos e a comunidade académica, orientadas por Ana Luena & José Miguel Soares e Joana Gancho. Neste contexto, trabalhou-se com alunos do 6º ano da Escola Básica Conde Vilalva em sessões de criação, estudantes da Licenciatura em Teatro do Departamento de Artes Cénicas da Escola de Artes da Universidade de Évora, numa masterclass participativa, e alunos do 9º ano da disciplina Oferta de Escola, da Escola Secundária Gabriel Pereira, numa residência e intervenção artística no espaço da escola.
“Tento a partir destas imagens reconstituir cada minuto, tento trazer à memória o que aconteceu antes e depois de cada clique, o que se disse, o que ficou por dizer. Tento descobrir sinais escondidos, uma hesitação no olhar, um desvio da mão, qualquer coisa que me tenha escapado naquela noite e que, agora, as fotografias possam revelar. Mas tudo o que vejo são fragmentos de um tempo que já não existe.”
APRESENTAÇÕES DESDOBRA-TE FESTIVAL PÉ DE XUMBO
DELONGA NOITE PERFORMANCE INSTALAÇÃO
DATAS 21 NOVEMBRO, 00H00 22 NOVEMBRO, 19H00
LOCAL SOCIEDADE HARMONIA EBORENSE Praça do Giraldo, 72, 7000-508 Évora
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA DELONGA NOITE Criação ANA LUENA & JOSÉ MIGUEL SOARES, NUNO NOLASCO Fotografia e vídeo JOSÉ MIGUEL SOARES Encenação e interpretação NUNO NOLASCO Textos ANA LUENA, ANDRÉ TECEDEIRO Música ZE PEPS Diário fotográfo-jardineiro ANA LUENA, ANDRÉ TECEDEIRO, JOSÉ MIGUEL SOARES, ZÉ PEPS Assistência de ensaios e de montagem CHISSANGUE AFONSO Assistência produção e comunicação MARIA CAMILO, SULIANE FERRAZ Design gráfico JOANA AREAL Parceiro FESTIVAL DESDOBRA-TE – PÉ DE XUMBO Produção MALVADA ASSOCIAÇÃO ARTÍSTICA Apoios UNIÃO DAS FREGUESIAS DE ÉVORA (CENTRO HISTÓRICO DE ÉVORA), JUNTA DE FREGUESIA DOS CANAVIAIS, UNIÃO DE FREGUESIAS DO BACELO E SENHORA DA SAÚDE, UNIÃO DE FREGUESIAS DA MALAGUEIRA E HORTA DAS FIGUEIRAS, Cofinanciado por IEFP, PESSOAS 2030, PORTUGAL 2030, UNIÃO EUROPEIA Parceiros de mediação ESCOLA DE ARTES DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA, AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ANDRÉ DE GOUVEIA, AGRUPAMENTO DE ESCOLAS GABRIEL PEREIRA Protocolos ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL DOS PROFESSORES / HOSPITAL ESPÍRITO SANTO DE ÉVORA / LIGA DE ESTUDANTES AFRICANOS DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA / SINDICATO DEMOCRÁTICO DOS PROFESSORES DO SUL / UNIVERSIDADE DE ÉVORA Parceiro de comunicação DIANA FM Apoios logística DOURADO DISTRIBUIÇÃO, QUEIJARIA CACHOPAS, RESTAURANTE O COMBINADO, SOPAS GRACIETE
A Malvada Associação Artística é uma estrutura financiada pelaREPÚBLICA PORTUGUESA – CULTURA, JUVENTUDE E DESPORTO / DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES com o apoio do MUNICÍPIO DE ÉVORA