Integrada no ciclo de criações SKHOLÉ, apresentou-se a performance VAGAR na Antiga Escola Primária dos Canaviais a 17, 18 e 19 de novembro de 2021, com direção artística e criação de Ana Luena & José Miguel Soares.
VAGAR é uma performance que interroga o ócio enquanto estado autónomo, sagrado e irredutível à lógica da produtividade. A partir de fragmentos discursivos, jogos de linguagem, enigmas e diálogos entre duas presenças em cena, a peça desmonta a moral do trabalho contínuo e da ocupação permanente, propondo o vagar como um tempo dilatado de escuta, contemplação e abertura. Entre o silêncio e a palavra, o aborrecimento e a revelação, VAGAR afirma o ócio não como negação do trabalho, mas como um modo de estar que contém sentido em si mesmo — um ritual inato, uma dádiva, uma forma de resistência.
FICHA ARTÍSTICA
Direção e criação Ana Luena & José Miguel Soares
Texto cénico, encenação e figurinos Ana Luena
Música e interpretação Zé Peps
Interpretação Matilde Magalhães, Tomás Gomes
Consultoria e assistência Constança Carvalho Homem
Apoio ao movimento Márcio Pereira
Apoio de voz Inês Pereira
Registo fotográfico Pedro Vilhena
Registo vídeo Miguel Gonçalves (Clube Av Leões)
Design Joana Areal
Assistentes de produção Beatriz Ourique e Rita Henriques
Vagar
deixar ou ficar vago; deixar ou estar livre ou desocupado
sobrar
entregar-se; dedicar-se
lentidão
tempo livre; ócio
ensejo, ocasião, oportunidade
com vagar
sem pressa
andar sem destino, vaguear, errar
mexer-se pela força das ondas, do vento
Com o desaparecimento do dicionário - do objeto, estamos limitados às palavras que já conhecemos, apenas pesquisamos o significado de palavras conhecidas. Já não encontramos nesse livro gordo palavras novas, inusitadas, que nos fazem pensar, divagar
In texto cénico VAGAR por Ana Luena
