A memória da Estação Marconi como matéria de criação em Vendas Novas

A Malvada realizou, no dia 20 de março de 2026, uma masterclass participativa com alunos do 7.º ano do Agrupamento de Escolas de Vendas Novas. Orientada pela atriz Chissangue Afonso, colaboradora no projeto OLVIDAR, a sessão proporcionou aos alunos o contacto direto com uma profissional das artes performativas e com os processos de criação artística desenvolvidos no âmbito do projeto.

A masterclass constituiu uma extensão do projeto de criação OLVIDAR, que a Malvada está a desenvolver ao longo de 2026 na Aldeia da Luz e na Mina de São Domingos. Concebido por Ana Luena & José Miguel Soares, o projeto investiga a força criativa e a capacidade regenerativa do esquecimento através da interseção entre performance, fotografia, vídeo e áudio. Em Vendas Novas, esta investigação foi transposta para o contexto da antiga Estação Marconi, tomando a memória desse lugar como ponto de partida para o trabalho.

Dirigida à comunidade escolar, a oficina teve como base esta estação, marcada por uma forte memória tecnológica, social e territorial, hoje atravessada pela desativação e pelo silêncio. A partir da contextualização histórica e social deste espaço, os participantes desenvolveram exercícios de escrita, improvisação, experimentação teatral e criação de pequenas cenas, explorando as tensões dicotómicas entre memória e esquecimento, presença e ausência.

Ao longo da sessão, os alunos trabalharam a partir de um texto jornalístico construído com base em testemunhos e memórias ligados à antiga estação, integrado na edição zero da revista VIZINHANÇA, editada pela Malvada em 2022. A imagem de que “do lado de lá da estrada, o silêncio absoluto contrasta com o barulho do passado” serviu de ponto de partida para convocar histórias, gestos, palavras e imagens, que foram sendo transformados em materiais performativos e poéticos.

As recordações de antigos trabalhadores e habitantes revelam a importância da Marconi para Vendas Novas enquanto lugar de trabalho, comunidade e encontro. “Havia um grande espírito de comunidade. São amizades para a vida.” Hoje, permanecem as memórias, os vestígios e as narrativas de um território em transformação, elementos que dialogam diretamente com as questões centrais de OLVIDAR e com a investigação artística que a Malvada vem desenvolvendo em torno dos modos como os lugares permanecem, se transformam ou desaparecem da memória coletiva.

A oficina permitiu aos alunos contactar com uma realidade do seu território que muitos desconheciam e reconhecer como a criação artística pode contribuir para reativar lugares esquecidos, devolver-lhes visibilidade e despertar novas formas de relação com a memória e com o território.

Esta ação dá também continuidade à relação que a Malvada mantém com Vendas Novas, através da colaboração com o Município de Vendas Novas e com o Agrupamento de Escolas de Vendas Novas, parceiros fundamentais na aproximação do trabalho artístico ao território e à comunidade escolar.

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