A MALVADA, em coprodução com a APPACDM de Évora, estreia ESTRADA, um espetáculo transdisciplinar que explora a viagem como metáfora da existência humana. Com criação de Ana Luena e José Miguel Soares, texto original de Afonso Cruz e música de Zé Peps, o espetáculo reúne um grupo de pessoas com deficiência intelectual em cocriação com uma equipa de profissionais das artes. As apresentações decorrem no Salão Central Eborense, no dia 14 de novembro (sábado) e de 16 a 18 de novembro (segunda a quarta-feira), em sessões destinadas ao público em geral e a grupos organizados de escolas e instituições.

SINOPSE
ESTRADA é a nova criação da Malvada Associação Artística em coprodução com a APPACDM de Évora, de Ana Luena & José Miguel Soares, que parte da viagem como metáfora essencial da existência humana. O projeto reúne um grupo de pessoas com deficiência intelectual enquanto intérpretes, em cocriação com uma equipa de profissionais das artes.
A viagem é entendida não apenas como deslocação física, mas como um movimento permanente de transformação, de exposição à diferença e de reinvenção do olhar. Com texto original de Afonso Cruz, escrito durante o processo de criação, o espetáculo desenha um território poético e ensaístico entre perda e nascimento, desaparecimento e aparição, luto e recomeço.
A estrada surge como espaço de encontro e de abertura ao imprevisto, onde a vulnerabilidade se transforma em força criativa, revelando outras formas de atravessar o caminho e de estar em relação. Caminhar surge como gesto simbólico e corporal dessa condição: uma sucessão de desequilíbrios adiados, feita de hesitações e desvios.
Através do cruzamento entre performance, escrita, música, som, fotografia e vídeo, constrói-se uma composição cénica fragmentada, entre o real e o imaginado, onde o jogo, o acaso e a invenção desafiam as narrativas lineares.

SOBRE O ESTRADA
A Malvada Associação Artística e a APPACDM de Évora apresentam ESTRADA, uma nova criação em coprodução que dá continuidade ao trabalho artístico desenvolvido desde 2022, no âmbito de uma parceria entre as duas entidades. O projeto reúne um grupo de pessoas com deficiência intelectual enquanto performers, em cocriação com uma equipa de profissionais das artes.
ESTRADA parte da ideia de viagem como matéria poética, experiência sensorial e forma de relação com o mundo, explorada em múltiplas dimensões. A viagem é entendida não apenas como deslocação física, mas como processo de transformação, de exposição à diferença e de reinvenção do olhar, articulando percursos reais e imaginados. A estrada surge como espaço de encontro e de abertura ao imprevisto, onde a vulnerabilidade se transforma em força criativa, revelando outras formas de atravessar o caminho e de estar em relação. A viagem, enquanto metáfora e prática, permite explorar estados de transição e descoberta, abrindo o campo a narrativas fragmentadas, a gestos inesperados e a novas formas de organização do poético. O processo privilegia o jogo e a invenção, criando um espaço de liberdade onde a lógica linear é posta em causa e onde o desvio e o acaso se transformam em matéria criativa.
Em ESTRADA, as pessoas com deficiência intelectual ocupam o centro da criação e da cena enquanto intérpretes, num trabalho que se desenvolve sem hierarquias fixas entre os diferentes modos de presença, afirmando a diferença como força que amplia o campo expressivo da obra.
A criação assume um cruzamento disciplinar que integra performance, escrita, fotografia, vídeo, desenho, música e som, compondo uma obra construída a partir da pluralidade de vozes, corpos e experiências.
ESTRADA propõe, assim, uma viagem artística em torno do deslocamento, da descoberta, da pertença e da imaginação, abrindo caminho a novas formas de organização do poético e do comum.

PROCESSO
O projeto ESTRADA desenvolveu-se entre fevereiro e novembro de 2026, através de um processo continuado de residências artísticas, laboratórios de criação, ensaios, momentos de partilha pública e oficinas de experimentação artística, culminando na estreia do espetáculo no Salão Central Eborense, em Évora.
O processo teve início em fevereiro e março, com residências de escrita e conceptualização, realizadas entre a Associação Era Uma Voz, em Casa Branca, e a Quinta do Escurinho, em Évora. Estas residências reuniram Afonso Cruz, responsável pelo texto original, e Ana Luena & José Miguel Soares, responsáveis pela criação e direção artística, num trabalho dedicado ao desenvolvimento conceptual e dramatúrgico do espetáculo. Integrados nestas residências, realizaram-se os primeiros encontros e sessões de trabalho com o grupo de intérpretes com deficiência intelectual, envolvendo-os no processo de criação desde a sua fase inicial. Esta etapa incluiu ainda a leitura e partilha dos materiais desenvolvidos com elementos da equipa artística.
Entre março e abril, decorreram na Quinta do Escurinho, na APPACDM de Évora, os primeiros laboratórios de criação e improvisação, orientados por Ana Luena & José Miguel Soares, com a participação de Chissangue Afonso e Zé Peps. Através de exercícios de improvisação, expressão corporal, movimento, voz e música, exploraram-se diferentes possibilidades cénicas e modos de presença, cruzando corpo, palavra, som, desenho, fotografia e vídeo. Estes laboratórios deram origem às primeiras cenas, num processo que privilegiou a experimentação, a repetição e a continuidade do trabalho com os intérpretes.
Entre junho e julho, o processo prosseguiu na Antiga Escola Primária dos Canaviais e no Salão Central Eborense, com novos períodos de laboratórios e residências de criação e ensaios. Nesta fase, os materiais experimentados e o texto original começaram a organizar-se numa composição cénica, aprofundando-se o trabalho sobre o espaço, os figurinos e os elementos visuais. Desenvolveram-se também temas e canções, bem como a integração da música ao vivo. Os ensaios alternaram entre sessões de preparação com a equipa profissional e momentos de criação conjunta com o elenco, aprofundando o trabalho performativo e as relações entre os diferentes elementos da cena.
A 30 de julho, realizou-se um momento aberto à comunidade no Salão Central Eborense, dedicado à partilha dos materiais em desenvolvimento. Esta apresentação constituiu uma primeira aproximação pública ao universo de ESTRADA e um momento de encontro entre os intérpretes, a equipa artística e a comunidade.
Ainda em julho, o projeto integrou uma oficina de experimentação artística dirigida a crianças, programada pelo Serviço Educativo do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida. A partir das temáticas da viagem e do deslocamento, a oficina explorou relações entre corpo, imagem e presença, ampliando a dimensão participativa do projeto e criando novas possibilidades de encontro e partilha com outros grupos da comunidade.
Entre setembro e novembro, seguiram-se novos períodos de laboratórios e uma residência intensiva de criação e ensaios na Antiga Escola Primária dos Canaviais, dedicados à consolidação dramatúrgica, performativa, visual e musical do espetáculo. O trabalho aprofundou a articulação entre os intérpretes, a música ao vivo e os diferentes elementos da composição cénica, preparando a passagem para o palco.
A fase final decorre em novembro, no Salão Central Eborense, com a montagem técnica, os ensaios de palco e os ensaios gerais. Pedro Bilou concretiza o desenho de luz e João Espanca Bacelar desenvolve o desenho de som, em articulação com a direção artística e a restante equipa. Os ensaios combinam momentos de trabalho com o grupo de intérpretes com deficiência intelectual e sessões técnicas com a equipa profissional, integrando progressivamente os diferentes elementos do espetáculo.
ESTRADA estreia a 14 de novembro de 2026, no Salão Central Eborense, em Évora, seguindo-se apresentações de 16 a 18 de novembro, destinadas a escolas, instituições, grupos organizados e público em geral. A criação reúne um elenco de intérpretes com deficiência intelectual e profissionais das artes, incluindo Chissangue Afonso, Inês Minor e Júlia Carlota, com música de Zé Peps interpretada ao vivo, afirmando a cocriação e a pluralidade de experiências como elementos centrais do processo artístico.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Criação ANA LUENA & JOSÉ MIGUEL SOARES
Texto original AFONSO CRUZ
Encenação ANA LUENA
Fotografia e vídeo JOSÉ MIGUEL SOARES
Música e interpretação ZÉ PEPS
Desenho de luz PEDRO BILOU
Desenho de som JOÃO ESPANCA BACELAR
Figurinos MARTA RICARDO e ANA LUENA
Interpretação ALEXANDRE RAMALHO, ANA CARINA CARVALHO, ANA MARIA FILIPE, CARLOS GIL, FLÁVIO MARQUES, GABRIEL PENDERLICO, MARCO PISCO, MARIA FIGUEIREDO, com CHISSANGUE AFONSO, INÊS MINOR, JÚLIA CARLOTA
Assistência de produção executiva GUILHERME DIAS
Assistência administrativa e de comunicação JOANA XAVIER
Design gráfico JOANA AREAL
Coordenação e consultoria [APPACDM Évora] ROSA MOREIRA Mediação HELENA RAPOSO
Produção MALVADA ASSOCIAÇÃO ARTÍSTICA Coprodução APPACDM Évora
Apoio UNIÃO DAS FREGUESIAS DE ÉVORA (CENTRO HISTÓRICO DE ÉVORA), JUNTA DE FREGUESIA DOS CANAVIAIS, UNIÃO DE FREGUESIAS DO BACELO E SENHORA DA SAÚDE, UNIÃO DE FREGUESIAS DA MALAGUEIRA E HORTA DAS FIGUEIRAS, FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA Cofinanciado por IEFP, PESSOAS 2030, PORTUGAL 2030, UNIÃO EUROPEIA
Protocolos ÁSHRAMA ÉVORA DHYÁNA – CENTRO DE YOGA / ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL DOS PROFESSORES / HOSPITAL ESPÍRITO SANTO DE ÉVORA / LIGA DE ESTUDANTES AFRICANOS DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA / SINDICATO DEMOCRÁTICO DOS PROFESSORES DO SUL / UNIVERSIDADE DE ÉVORA Parceiro de comunicação DIANA FM
Mecenato em espécie QUEIJARIA CACHOPAS, RESTAURANTE O COMBINADO, SOPAS GRACIETE
A Malvada Associação Artística é uma estrutura financiada pela REPÚBLICA PORTUGUESA – CULTURA, JUVENTUDE E DESPORTO / DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES com o apoio do MUNICÍPIO DE ÉVORA


