OLVIDAR na Aldeia da Luz: residência artística de criação interdisciplinar

Ao longo de duas semanas, em abril, Ana Luena, José Miguel Soares, Zé Peps e Chissangue Afonso estiveram em residência intensiva de criação na Aldeia da Luz, aprofundando diferentes dimensões artísticas do projeto OLVIDAR.

Durante este período, o trabalho desenvolveu-se nas áreas da dramaturgia, música, fotografia e vídeo, num processo de criação partilhado entre os vários profissionais envolvidos. A Casa do Museu, lugar de alojamento da equipa durante as residências na Aldeia da Luz, foi também espaço de criação e encontro, acolhendo ensaios, sessões de trabalho, conversas e momentos com a comunidade. O texto escrito por Filipa Leal para esta edição de OLVIDAR na Luz foi adaptado para texto cénico, foram criados temas musicais originais e realizado trabalho de preparação e edição fotográfica, bem como testes de projeção. A Casa do Museu será ainda o lugar onde decorrerá o Dia Aberto e a apresentação da performance-instalação, a 10 de outubro.

A residência permitiu ainda definir o alinhamento da apresentação, concebida a partir do cruzamento entre música, teatro, instalação, fotografia, vídeo e entrevistas. Ao longo dos dias, entre sessões de criação, ensaios, conversas e refeições partilhadas, o projeto foi crescendo, ganhando novas camadas e encontrando progressivamente a sua forma.

Uma dimensão fundamental desta residência foi o reencontro e o trabalho artístico com a comunidade local: entrevistas com alunas da Universidade Sénior de Mourão, encontro e nova entrevista com o Sr. Horácio, uma sessão de fotografias com alunos do Agrupamento de Escolas de Mourão, uma sessão fotografia e vídeo com os alunos da Escola da Aldeia da Luz, ensaios com a Tuna da Universidade Sénior em torno de uma canção original — com a participação das crianças da escola no último desses ensaios, no pátio da Casa do Museu — e um ensaio com o Grupo Coral da Luz, no qual se definiu a sua forma de participação na apresentação final.

As decisões relativas ao desenvolvimento e à apresentação desta edição de OLVIDAR foram sendo tomadas em articulação com o parceiro EDIA / Museu da Luz, através de Dimas Ferro. Para além do Dia Aberto, durante o qual se abrirão as portas da Casa do Museu na aldeia para a apresentação da performance-instalação, ficou também definida a realização de uma exposição fotográfica no Museu da Luz, prolongando o projeto no tempo e no espaço e dando continuidade às imagens e relações construídas durante o processo.

Esta residência constituiu, assim, um momento central de criação, experimentação e encontro, no qual diferentes linguagens artísticas se foram entrelaçando com as memórias, vozes, imagens e pessoas da Aldeia da Luz.





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