A Malvada em residência imersiva na aldeia da Luz com OLVIDAR

Entre os dias 18 e 20 de fevereiro de 2026, realizou-se, na aldeia da Luz, no concelho de Mourão, uma residência imersiva de pesquisa e criação artística no âmbito do projeto OLVIDAR, produzido pela Malvada Associação Artística em parceria com a EDIA — Museu da Luz.

Cinco pessoas sorrindo e posando para a câmera em uma estrada, com a palavra 'LUZ' escrita no chão. O cenário é um campo verde com flores brancas ao fundo.
Quatro pessoas caminhando em uma estrada ao lado de uma área alagada, rodeadas por vegetação verde e sob um céu nublado.
Grupo de cinco pessoas tirando uma selfie durante um jantar, com pratos de comida sobre a mesa e um fundo decorado com antigos rádios e fotografias.

Durante estes três dias, juntou-se a dupla de artistas Ana Luena & José Miguel Soares com a poeta Filipa Leal, o músico Zé Peps e a atriz Chissangue Afonso, para realizar um trabalho imersivo de escuta, recolha e experimentação artística em diálogo direto com a comunidade local. A mediação e consultoria foram asseguradas por Dimas Ferro (Museu da Luz), promovendo a articulação entre o projeto artístico e o território.

A residência envolveu diferentes gerações e contextos da Aldeia da Luz, integrando a participação de residentes, elementos do Grupo Coral da Aldeia da Luz,  alunos do 1.º Ciclo da Escola Básica da Aldeia da Luz, e alunas e maestro da Universidade Sénior Cristóvão de Mendonça. 

Este período de trabalho constituiu uma etapa fundamental do processo de criação, centrada na recolha de testemunhos, memórias, gestos e sonoridades, assim como na observação dos espaços e vestígios materiais e imateriais da aldeia — um território marcado por profundas transformações e deslocações. 

Sala de aula com quadro negro, mesas e cadeiras dispostas, relógio na parede e decoração educativa.
Quatro pessoas conversando ao ar livre em frente a uma casa branca antiga, em um dia ensolarado. Uma mulher está à esquerda, usando um casaco preto, enquanto três homens discutem no meio, com um deles gesticulando.
Grupo de mulheres sentadas em torno de uma mesa em uma sala de reunião, participando de uma discussão.
Homem tocando violão sentado em um banco ao ar livre, com um cenário de grama e pedras ao fundo.
Grupo de pessoas reunidas em uma sala, discutindo, com um fotógrafo ao fundo. Uma bandeira de Portugal pendurada no teto.
Três pessoas em um galpão: duas mulheres, uma delas com um cachorro, e um homem conversando enquanto um tripé de câmera está presente.
Homem mais velho falando em um espaço interno com estantes cheias de objetos, enquanto outro homem com cabelo cacheado assiste. Uma câmera está montada em um tripé entre eles.

A residência permitiu aprofundar a reflexão sobre o esquecimento enquanto força criativa e mecanismo de reinvenção, explorando a tensão entre presença e ausência, permanência e desaparecimento. Ao integrar vozes e experiências diversas, o processo contribuiu para a construção de uma dramaturgia fragmentada e sensível, feita de silêncios, vestígios e memórias partilhadas — elementos que irão alimentar a criação da performance-instalação criada e apresentada na Aldeia da Luz, com o envolvimento da sua comunidade.

RESIDÊNCIA IMERSIVA DE PESQUISA E CRIAÇÃO ARTÍSTICA 

Com ANA LUENA & JOSÉ MIGUEL SOARES, FILIPA LEAL, ZÉ PEPS, CHISSANGUE AFONSO Mediação e consultoria DIMAS FERRO [MUSEU DA LUZ]

Participantes HORÁCIO SARDINHA GUERRA; GRUPO CORAL DA ALDEIA DA LUZ  Mediador JOÃO CORREIA; CARMEN COUTINHO, GERTRUDES RODRIGUES, ISAULINA LEAL, JOAQUINA DIAS, JUDITE MARTINS, MARTA ANTÓNIO Professor e Maestro da Tuna JOÃO LOPES Mediadora RITA CAEIRO [Universidade Sénior Cristóvão de Mendonça]; ALUNOS DO 1º CICLO DA ESCOLA BÁSICA DE ALDEIA DA LUZ Professora Soraia Guerreiro

Cofinanciamento  EDIA – MUSEU DA LUZ Apoio JUNTA DE FREGUESIA DOS CANAVIAISA Malvada Associação Artística é uma estrutura financiada pelaREPÚBLICA PORTUGUESA – CULTURA, JUVENTUDE E DESPORTO/ DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES com o apoio do MUNICÍPIO DE ÉVORA

Uma pedra de mármore com a palavra 'LUZ' gravada, contra um fundo nublado e uma lâmpada de poste visível ao fundo.
Armário de madeira com uma foto de uma vista aérea e um mapa da Nova Aldeia da Luz.
Um grande número de pássaros voando no céu nublado.

SOBRE O PROJETO OLVIDAR

Em OLVIDAR, explora-se a força criativa e a capacidade regenerativa do esquecimento. Neste projeto de intersecção entre a performance, a fotografia, o vídeo e o áudio, desenvolve-se a ideia de reconstrução (ou recriação) para trabalhar questões relacionadas com a presença e a ausência. Regista-se e manipula-se aquilo que poderá estar abandonado ou desaparecido. A partir da escuta de territórios e comunidades que passaram por processos de apagamento ou de transformação profunda, constroem-se narrativas inspiradas nas memórias de uns e nas zonas de esquecimento de outros, dando lugar a uma dramaturgia fragmentada, atenta e permeável, feita de presenças subtis, silêncios, vestígios e zonas de sombra. A criação inspira-se na ideia de que recordar é um ato seletivo e que esquecer pode ser também um gesto de resistência, uma defesa contra o excesso de acontecimentos ou a imposição de narrativas dominantes.

Nesta criação de cruzamento disciplinar, o esquecimento surge não como uma falha, mas como força criativa e ferramenta de transformação. O processo compõe-se de residências imersivas de pesquisa e de criação — as zonas de OLVIDAR, desenvolvidas de forma participativa com comunidades específicas de locais que são terreno fértil para uma dialéctica entre a memória e o esquecimento, da qual o projeto artístico se alimenta — nomeadamente, a Aldeia da Luz, em Mourão e a Mina de São Domingos, em Mértola. OLVIDAR reúne uma equipa profissional e participantes das comunidades nas zonas de intervenção.

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