Afonso Cruz orienta primeira oficina da residência Enxertia na Escola Gabriel Pereira

A Malvada realizou, no dia 3 de fevereiro, a primeira oficina da residência Enxertia, envolvendo os alunos do 9.º ano da disciplina de Oferta de Escola, da Escola Secundária Gabriel Pereira. A sessão teve início com a apresentação da residência Enxertia, concebida e dirigida pela dupla de artistas Ana Luena & José Miguel Soares, que partilhou com os alunos o conceito artístico do projeto e enquadrou o processo de criação a desenvolver ao longo da residência.

Orientada por Afonso Cruz, esta oficina colaborativa centrou-se na escrita como prática artística, promovendo o diálogo entre literatura, criação contemporânea e experiência pessoal. A partir da partilha do seu percurso biográfico e literário, Afonso Cruz conduziu os participantes a uma reflexão sobre os processos de escrita, construção narrativa e publicação.
O trabalho privilegiou a exploração de diferentes estruturas narrativas, a transformação como princípio de construção e o estímulo à criação de micro-narrativas através da imaginação, do absurdo, da inversão funcional e da manipulação simbólica de objetos.

A componente prática incluiu o exercício criativo “objetos (des)funcionais”, centrado na inversão, deslocação ou alteração da função original dos objetos, dando origem à criação de micro-narrativas. A partir de dinâmicas de geração de ideias baseadas no absurdo, na associação improvável e no deslocamento de sentido, os participantes desenvolveram e partilharam as suas propostas. A criação foi concebida como um espaço de encontro, descoberta e experimentação, a partir do qual determinadas ideias exploradas poderão ser posteriormente desenvolvidos.

Na botânica, a enxertia é uma técnica que consiste em unir partes de plantas diferentes, fazendo com que uma se desenvolva a partir da outra. Um ramo, um caule ou um fragmento vegetal é integrado noutro organismo, criando uma relação viva entre elementos distintos. Esta união não apaga a origem de cada parte: pelo contrário, permite que diferenças se encontrem, se adaptem e deem origem a novas formas de crescimento.

A partir da noção de enxertia, a residência Enxertia entende a criação artística como um processo de encontro, cruzamento e transformação. Através de práticas de cocriação entre alunos, artistas e comunidade educativa, valoriza a dimensão relacional da arte, os processos partilhados e o diálogo entre diferentes linguagens artísticas. Organizada em laboratórios e oficinas, contribui para a construção de um objeto artístico comum, desenvolvido a partir da experimentação e da participação ativa dos envolvidos.

A Malvada desenvolve ESTUFA, no âmbito de Vidas Ativas 5G, da APPACDM-Évora, um projeto de criação e mediação artística em contexto escolar. Em 2026, o projeto decorre no Agrupamento de Escolas Gabriel Pereira. O projeto desenvolve-se no contexto da parceria com a União de Freguesias do Bacelo e Senhora da Saúde.

Integrada neste projeto, a residência Enxertia é concebida e dirigida pela dupla de artistas Ana Luena & José Miguel Soares, contando com a participação de artistas e criadores associados à Malvada, entre os quais Afonso Cruz, Chissangue Afonso, Joana Gancho e Zé Peps, responsáveis pela condução de diferentes oficinas e momentos do processo criativo. No ano letivo 2025/26, a residência decorre com alunos do 9.º ano da disciplina de Oferta de Escola, de Escrita Criativa / Expressão Dramática / Música, acompanhados e mediados pelos Fátima Teles, Manuel Dias e Jorge Neves.



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